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segunda-feira, 22 de março de 2010

A Diferença entre Concentração e Meditação


Muito se tem escrito e falado sobre Meditação e Concentração e então podemos estabelecer diferentes premissas do processo de Meditar e Concentrar. Ciências como o Yoga, tradições como o Budismo e suas várias vertentes tem ao longo de sua história se situado entre estes dois pontos: Meditar e Concentrar.
Mais recentemente a Ciência tem demonstrado interesse e se dedicado sobre este assunto especialmente no tocante a neurofisiologia no estudo das “infinitas possibilidades dos caminhos neuronais” que surgem quando fazemos mão da Meditação e da Concentração que possibilitam o uso de partes do cérebro até então pouco usadas.
É interessante a visão do Yoga Integral de Sri Aurobindo que coloca diferença entre Meditar e Concentrar. Então temos o que Rolf Gelewski, discípulo de Aurobindo e da “Mãe” Mira Alfassa escreve nas linhas abaixo:

“Concentrar significa centralizar, fazer convergir em um campo, unir em um ponto determinado este ponto passa a ser um lugar de referência para movimentos que se efetuam a seu redor e, desta maneira, a adquirir uma função e poder de orientação; então os movimentos, reagindo a crescente definição e estabilidade do ponto, chegam a se relacionar diretamente com ele, rodeando-o ou convergindo para ele ou se afastando dele, e assim se cria um contexto, uma constelação específica onde o ponto assume a posição de um centro. Todos os movimentos que neste centro convergem trazem para ele e acumulam nele as energias, das quais foram até então, manifestação: transformam-se em potenciais. É por isto que a concentração não significa um estado ou um valor qualquer, mas um estado de intensidade crescida, o valor de uma nova força, um poder – porque é a união de muitas energias em só ponto ou campo.”


Continuando a sorver a água do Yoga Integral temos a definição outorgada por Sri Aurobindo:

“Meditação é uma atividade puramente mental, ela interessa sómente ao ser mental…”
“…A pessoa pode se concentrar enquanto medita, mas esta é uma concentração mental; pode chegar a um silêncio, mas é um silêncio puramente mental, e as outras partes do ser são mantidas imóveis e inativas a modo de não perturbar a meditação…”

Sabemos, como o nome já nos diz, que o Yoga Integral visa à integração do Homem no seu aspecto do Todo. Corpo Físico, Corpo Mental, Corpo de Energia e Corpo Espiritual devem-se integrar neste Todo que é em essência o Ser Total ou o que Verdadeiro é.

“…conheci pessoas em minha vida cuja capacidade para meditação era notável, mas que quando não estavam em meditação, eram pessoas inteiramente comuns, às vezes gente de mau temperamento, que ficaria furiosa se sua meditação fosse perturbada. Pois eles tinham apenas aprendido a dominar a sua mente e não o resto do seu ser.” ( A Mãe,Mira Alfassa)

Em relação ao enunciado da Mãe podemos nos reportar ao autor Jack Korfield que no seu livro “Depois do Êxtase, Lave a Roupa Suja”, da Editora Cultrix onde relata várias experiências de mestres da Arte de Meditar que depois de perceberem seus samadhis, atingindo o Êxtase, voltaram a vida mundana em todas as suas situações, entrando em choque com seus discípulos, virando alvo da especulação pública.
Podemos então estabelecer que a diferença entre Meditar e Concentrar seria uma questão de objetivo. Enquanto concentrar em um só ponto pode acontecer com um lavrador que ara a terra focando sua atenção na enxada que provoca o sulco no solo visando plantar a semente que dará o sustento na próxima colheita e então ele vive “aquele momento presente”, enquanto um meditador na sua sala de meditação visa concentrar num só ponto mas percebendo as diferentes matizes de sua mente que ocorrem durante a sentada com a finalidade meditativa. Então o meditador tem um objetivo que o de parar, concentrar para depois meditar e lavrador para no seu objetivo o de efetivamente concentrar. Podemos dizer ele é a terra, a enxada, a semente numa perfeita integração. Podemos dizer que o meditador tem o objetivo de perceber-se o “Todo”, observando suas ondulações mentais e sensações corporais independente do foco como por exemplo: ao sentir uma sensação de coceira ele treina percebendo que esta coceira não é ele, não é dele, mas apenas uma percepção impermanente e ilusório fruto de sua projeção mental.

“Concentração, para o nosso Yoga significa que a consciência é fixada num particular estado (por exemplo paz) ou movimento (por exemplo, aspiração,vontade, entrar em contato com a Mãe, tomar o nome da Mãe); meditação é quando a mente está olhando para as coisas a fim de adquirir o conhecimento correto.” (Sri Aurobindo)

O que almejamos com este artigo não é concluir este assunto, mas sim levar a uma reflexão sobre o tema Meditação e Concentração. Enfatizamos que Meditação e Concentração são grandes possibilidades de levar o Amor e a Compaixão para as pessoas: o meditador na sua sentada oferece a sua meditação ao próximo e irradia o Amor em toda a sua possibilidade para toda a humanidade. Aquele que concentra oferece o fruto da sua concentração ao próximo, e que o trabalho e sua produção resultante deste concentrar atinja toda a humanidade numa prestação de serviço essencial para todos nós.

As citações de Sri Aurobindo, da Mãe (Mira Alfassa) e de Rolf Gelewnski foram extraídas da Revista Ananda de 1992, da Casa Sri Aurobindo, Belo Horizonte-MG cujo título é: “Concentração: seu valor na vida e no Yoga (porque e como concentrar-se)”

By Nello Baia Jr

Do Ego e dos Ásanas


Por Tereza Freire, que mora e pratica Yoga em São Paulo. Dirigiu com parceria com Daisy Rocha o documentário “Caminhos do Yoga” filmado em 2003.

http://caminhosdoyoga.blogspot.com/Foi preciso que eu pegasse uma conjuntivite que me obrigou a parar temporariamente com os ásanas para aprofundar a minha prática de meditação…

Praticar Ashtanga Vinyasa Yoga é paradoxal. Ao mesmo tempo que fortalece o corpo, e consequentemente o ego, a prática também te coloca no devido lugar quando o ego começa a soltar suas asinhas.

Afinal, praticamos Yoga para domesticar este pequeno monstro que habita em todos nós. Mais um paradoxo: é pequeno e é monstro… Pequeno, se pensarmos na imensidão do Ser, e monstro porque exerce um poder imensurável em nossas vidas.

É preciso tomar muito cuidado para a prática de Ashtanga Vinyasa Yoga não virar “Ashtego”. Ela parece ter sido sistematizada para nos testar. Quem pratica seriamente, seis dias por semana, inevitavelmente fica com um corpo forte, saudável e vigoroso.

Mas se este for o fim e não um meio para se chegar num outro patamar, invariavelmente a gente acaba se machucando, porque vai querer fazer ásanas cada vez mais complicados, pois o ego quer sempre mais…

Praticamos ásanas para atingirmos o estado de meditação. Na Índia, muitos praticantes já nem precisam de ásanas. Na sua cultura, as pessoas tem o costume de sentar no chão e não em cadeiras. Qualquer um senta em padmásana. No ocidente, crescemos em cadeiras, não temos o corpo preparado para meditar. Precisamos de ásanas.

É uma prática sedutora, que nos instiga a buscar a perfeição e a harmonia e nos desafia, por conter séries com graus de dificuldade diversos. Portanto, é preciso esforço e perseverança para avançar nas séries. Penso que para pessoas ativas e com dificuldade de manter a concentração e disciplina, pode ser uma prática indicada.

Tenho amigos que não se interessam pelo lado filosófico ou espiritual do Yoga e praticam Ashtanga Vinyasa Yoga todos os dias da semana. Gostam do fato de ser uma prática vigorosa e que produz bem estar e emagrece. E só. Pelo menos, é um começo, penso. Com o tempo, a pessoa verá que está desperdiçando o melhor que o Yoga pode oferecer, que é o auto conhecimento. Que o bem estar é só o começo de um caminho sem volta. E o contato com os professores e mestres abrirão as portas para esta viagem.

Mas descubro que muitas vezes a prática de Ashtanga Vinyasa Yoga acentua o narcisismo e torna-se um fim em si mesmo. Descontextualizamos sua origem, criamos métodos, enfeitamos com luzes, música e figurinos e o que deveria ser uma prática meditativa vira show de talentos. O bom ashtangi passa a ser o bom “ásaneiro”.

Falo com conhecimento de causa porque isso aconteceu comigo. Deslumbrei-me com a prática e desrespeitei meu corpo a ponto de pegar uma conjuntivite que me proibiu por duas semanas de fazer qualquer postura em que minha cabeça ficasse abaixo do coração. Tive que interromper a prática.

Descobri que tinha medo de meditar!!! Tinha me acostumado a fazer um mantra no começo, meditar em movimento, respirar nos ásanas e finalizar com mais um mantra.

Quando me peguei impossibilitada de sair de casa, resolvi encarar: meu corpo me dizia que precisava descansar. Não tinha como fugir da meditação.

Yogashchittavritti nirodhah.
[Yoga é a desidentificação com as flutuações do ego-mente]

Fechei os olhos e esperei… Vontade de me mexer, de cantar, de me alongar, de rezar, todos os pensamentos do mundo reunidos numa só mente. Fiz pranayamas, visualizações, usei todos os recursos que conhecia para acalmar os vrttis de minha chitta (flutuações do ego-mente).

Decidi só levantar quando acalmasse meu vrttis. Surgiu mais um: a dor nas costas. Cedi, levantei frustrada, mas com a sensação de ter tentado. Descobri que meditar exige tanta disciplina quanto praticar ásanas, ou quanto qualquer coisa que se quer fazer bem. Requer dedicação. No dia seguinte, tentei de novo, no outro também, e a cada dia sentia que o esforço trazia resultados.

Um dia, quando menos esperava, senti que tudo se encaixava, que eu me sentia plena, que naquele momento, não havia nada mais que eu desejasse, que eu poderia até morrer fisicamente porque tudo estava em paz.

Não sei quanto tempo durou, sei que voltei atraída por um som qualquer. Nem que tenha sido apenas um segundo, foi um dos mais intensos de toda minha vida. O vazio fez um eco no meu coração. Talvez isto seja chittavrtti nirodhah, a desidentificação com os conteúdos do ego e da mente.

Totalmente recuperada dos olhos, voltei a minha prática diária de Ashtanga Vinyasa Yoga. No entanto, de uma forma diferente. Mais generosa e tolerante com meus limites e, principalmente, com os limites dos outros. Precisei ficar doente dos olhos para conseguir enxergar com a alma…

Namastê!


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Tereza é yogini, mora e pratica em São Paulo. Dirigiu e produziu, em parceria com Daisy Rocha, o documentário Caminhos do Yoga, filmado na Índia em 2003.

Câncer de Mama x Psicossomática












Segundo a psicossomática enviesada pela psicanálise, o adoecimento físico está associado no indivíduo, à supressão de afetos e à evitação de conflitos por parte dos sujeitos que suprimem tais afetos; então, questões outras, como luto não elaborado ,empobrecimento de representações e da capacidade de associação de idéias contribuem para o desenvolvimento de doenças, como câncer de mama.
Na vida do sujeito, todos os acontecimentos geram excitações no organismo que precisam ser descarregadas e as vias responsáveis poe esse “descarregar” são a elaboração mental e os comportamentos motores- na medida que essas excitações não são escoadas, elas acumulam e vão atingir o físico do indivíduo, de forma patológica.
Essa questão está associada à falhas na mentalização devido a pobreza e falta de qualidade das representações existentes no pré-consciente de alguns sujeitos. E como se sabe, as representações são a base da vida mental pois são elas que são responsáveis pela associação de idéias, pensamentos e reflexão interior.
No que concerne ao fator genético do câncer de mama,ou seja, nas famílias que muitas mulheres de gerações diferentes desenvolvem essa doença, é percebido uma instância materna que ancoura os conflitos existentes e as excitações advindas destes, de dado grupo familiar. Assim, é como se em cada geração, permanecesse simbolicamente um corpo materno no qual se moldam os operadores da psiquê que permitem a circulação das pulsões.
E nesse corpo materno podemos nos remeter às sensações iniciais entre mãe e bebê que se estendem para as relações subjetivas entre os membros das família. Então, a família é como se fosse um espaço que simboliza todas as angústias, medos e demais representações de cada membro familiar, independente à geração; conseqüentemente, a "família” colabora na estruturação psíquica do sujeito pois é ela que vai influenciar o processo de subjetivação à partir da função materna e também vai ser um espaço de metabolização dos conflitos familiares; e devido a isso, desenvolve-se a herança familiar para dada doença, como por exemplo o câncer de mama entre as mulheres do mesmo núcleo familiar pertencentes à várias gerações. Além disso, como se sabe, o câncer de mama tem uma representatividade em relação ao exercício da maternidade e da sensualidade da mulher .

By Robertta Bezerra
CRP 11/04016

Bibliografia:

Liderau R., Oncogènes et pronostic des cancers mammaires, in Serin D. et coll. (Orgs) Cancer du sein. Définition du risque métastatique, Paris, Masson, 1987, pp. 41-44.
Liderau R. et all., Genetic Variability of Proto-oncogenes for Breast Cancer Risk, Biochimie, 1988, 70, pp. 951-959.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Alguém se identifica com esse trecho?



Um amigo está lendo um livro e me encaminhou o seguinte trecho:

"Apesar de não se encontrar perdidamente apaixonada por esse homem, ele era boa pessoa, e ela pensava que tal relação lhe iria trazer alguma estabilidade à sua vida. Mas a paixão numa relação não pode ser artificialmente criada. Pode existir respeito, pode existir compaixão, mas a química tem que surgir desde o início."

E assim, passei a refletir sobre algumas questões da vida....