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domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Busca pelo Nosso 'Bem'!




Vasculhando nosso passado percebemos que tudo aquilo que num determinado espaço-tempo da manifestação de nossa existência não perturbou nossa mente nem nos fez perder o equilíbrio foi aquilo que julgamos bom para nós. Mas sempre que não conseguimos o que desejamos, ou perdemos o que conquistamos… Sempre que não temos total controle de uma situação nos sentimos insatisfeitos, pois podemos não obter ou até mesmo perder aquilo conquistado!

E seguimos em nossa busca pelo nosso Bem [1]. Desejamos existir, desejamos conhecer, desejamos bem-estar e é isso que nos dá o poder de realizar. Há um tempo em que desejamos apenas sensações de prazer físico e há um tempo em que desejamos apenas posses materiais, e quanto mais os temos mais queremos, pois quando os obtemos os notamos insuficientes em nos preencher. Descobrimos um vazio em nós mesmos e achamos que poderemos o preencher com coisas que passamos a chamar de “minhas”.

Insuficientes que são, passamos a procurar por fama, poder e sucesso, mas com o tempo os notamos também insuficientes em nos preencher o vazio. Paulatinamente o desejo de ser admirado e servido se converte em vontade de servir e começa a surgir o desejo apenas pelo cumprimento do próprio dever. É o início da verdadeira religiosidade!

Passamos a servir incondicionalmente, mas até isso passa a nos ser insuficiente, pois não consegue preencher aquele vazio íntimo que parece sem fim… Necessitaríamos de um infinito de coisas para preenchê-lo. O Infinito… é isso que passamos a procurar. Passamos todo o tempo tentando nos preencher de coisas que não tinham o real poder de nos preencher. Foram ilusões e que bom foi nos desiludirmos! Perceber que não eram reais… Tudo o que antes víamos como desejos legítimos passamos a notá-los ilegítimos. Passamos a procurar nos libertar deles. Liberdade… é o que passamos a desejar.

Estive ocupado com o urgente que não era importante

Estive ocupado com o importante que não era urgente…

E deixei de lado o que era essencial…

Sobrou-me apenas esse Vazio

E um irresistível desejo de Liberdade…

[1] Segundo o Vedānta, existem quatro objetivos e/ou valores da vida humana:

Arthaḥ – dinheiro, riqueza; propriedade, bens; fortuna; abundância; objeto dos sentidos, objeto estimado. Bem estar econômico e sucesso no mundo.

Kāmaḥ – desejo pelos objetos que estimulam os sentidos. Satisfação de desejos legítimos.

Dharmaḥ – desejo pela virtude, mérito; dever, justiça, lei natural, religião, ordem estabelecida, costume, instituição, obrigação individual ou coletiva (física, moral ou espiritual); a perfeição ética e moral.

Mokṣa – emancipação do espírito das ilusões da existência; liberação, salvação, libertação – auto-conhecimento.

Autor: Claudio Azevedo( http://www.orion.med.br/portal/index.php )

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