
Lúcia Valéria da Silva
Artigo escrito para o Módulo ”Yoga Milenar e a Ciência Atual” do Curso de Pós-Graduação em Yoga, ministrado por Cláudio Azevedo
Inicio meu trabalho reescrevendo dois parágrafos do texto “Uma Viagem Energética” em que o autor narra o seguinte:
Na realidade, todos os nossos pensamentos, idéias e sentimentos são construídos de uma forma associativa e interconectados em rede. Por exemplo, associamos o prazer e o bem estar de degustar uma determinada iguaria com o prazer que sentimos advindo de nossos outros sentidos (da companhia que tivemos, das alegrias que sentimos, etc) no dia que a experimentamos pela primeira vez. Ou seja, todos os nossos conceitos são armazenados nessa vasta rede corporal usando peptídeos como sinais, associando-os como outros eventos que ocorrem simultaneamente ou previamente, recuperando ou reprimindo emoções e padrões comportamentais.
Esses hábitos e condicionamentos, quando repetidos frequentemente acarretam uma verdadeira mudança na configuração de nossa rede sináptica neuronal cortical, literalmente reconfigurando o nosso cérebro (um processo conhecido como aprendizagem) com esse padrão de resposta e atitude perante nossos estímulos externos (e internos). As emoções são um importante componente nesse mecanismo de aprendizado. Assim para muitos neurocientistas, as mudanças bioquímicas que ocorrem ao nível dos receptores são a base molecular de nossa memória, numa rede psicossomática que se estende por todas as nossas células em todo o nosso corpo.
Estes dois parágrafos falam a respeito de todas as memórias que guardamos em nosso corpo.
Meu trabalho diário tem muita ligação com tudo isso, pois toco o corpo das pessoas e quando o faço consequentemente estou tocando em suas memórias. As dores que relatam, por exemplo, as musculares podem estar relacionadas com suas emoções contidas. Em seu artigo “Neuropeptídeos: as Emoções e a Mente do Corpo – A Bioquímica das Emoções” a Doutora Candace Pert cita o seguinte
Então, o que observamos é que existe uma interação do corpo e da mente. E o corpo traz as respostas mais verdadeiras do nosso self. Se estamos felizes todos os nossos órgãos ficam felizes e se estamos tristes a tendência é entristece-los e essa tristeza pode manifestar-se em forma de doenças.
A doença seja ela qual for, pode ser entendida como uma perturbação mal resolvida no equilíbrio interior do ser vivo, e em sua interação com o meio ambiente. (SILVA, Marco Aurélio Dias da, Quem ama não adoece).
Como escreveu Mandsley, há mais de 100 anos, “Se a emoção não se libera, vai agarrar-se aos órgãos perturbando seu funcionamento”.
Há pessoas com mais tendência a somatizações. São aquelas que tem dificuldades de expressar seus sentimentos tanto de tristeza quanto de alegria. Essas pessoas são sérias candidatas a crise de depressões. Existem aquelas que não conseguem responder ou resolver os insultos, e ficam remoendo sua raiva até que essa se torne uma gastrite ou úlcera. No artigo: ”A Psicossomática” o Professor Cláudio Azevedo escreve o seguinte:
A somatização, em geral, é uma válvula de escape para as emoções e os sentimentos com os quais não se consegue lidar. Atualmente, pode-se afirmar que todas as doenças têm ao menos algum fundamento psíquico, mas em alguns casos a participação dos estados emocionais no desencadeamento ou na evolução da doença é mais evidente.
Entre as mais conhecidas temos as doenças alérgicas, como a asma brônquica e as dermatites, as doenças gastrintestinais, como as úlceras gástricas, a retocolite ulcerativa e a diverticulite e as doenças auto-imunes, como o lúpus. As tireoideopatias e suas relações com as emoções, as cardiopatias, o câncer, as dermatopatias (acne, alopécia areata, dermatite atópica e seborréica, psoríase, o vitiligo e a urticária), a disidrose (suor excessivo nas mãos e pés) e as doenças infecciosas que surgem junto a quadros emocionais (como gripes sucessivas em um período depressivo) são outros exemplos.
O desencadeamento de doenças imediatamente após brigas, sustos, períodos de crise emocional, stress, mudanças na vida ou outros fatores desencadeantes, demonstram que essa interação psicossomática é real e está muito presente em nossa vida.
Se os fatores desencadeantes da psicossomatizações são reais e estão muito presentes em nossas vidas como libertar-nos deles?
Penso que o último parágrafo do artigo “Uma Viagem Multidimensional na Realidade” poderá responder esta pergunta.
A verdadeira liberdade do ser humano é a capacidade consciente de transitar, como Observador, por essas dimensões pessoais e transpessoais pelo aumento de nossa percepção consciente, e assim poder acessar a dimensão energética do nosso inconsciente familiar, do nosso inconsciente simbiótico, do nosso inconsciente coletivo, do nosso inconsciente cósmico, pré-cósmico (angelical), do Ser e do Aberto.
Tentar observar nossos sentimentos, manter-se controlado e só depois agir, seria o ideal, pois não reprimiríamos as emoções e agiríamos de modo mais claro. Como estudante de Yoga, busco este caminho; busco aprender a observar; a controlar as emoções e ao mesmo tempo, tentar agir de forma correta.
Referências Bibliográficas
•SILVA, Marco Aurélio Dias da, Quem ama não adoece/ Best Seller Ltda
•AZEVEDO, Cláudio; SÁ, Iracema, Yoga: Formando Instrutores/ Òrion Edições, 2007
•Artigo: “Neuropeptídeos: as Emoções e a Mente do Corpo – A Bioquímica das Emoções” Doutora Candace Pert
•Artigo: ”A Psicossomática” Professor Cláudio Azevedo

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